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Jitomon
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Tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. Quarta-feira, Julho 12, 2006 Papo cabeça Eu sei que não vou me fazer acreditar, mas tive uma conversa séria com o Bin Laden na última sexta-feira santa. Ele me contou, de forma melancólica, como arquitetou o plano do onze de setembro de sua caverna secreta, no noroeste do Afeganistão. Abriu seu coração. Confidenciou-me segredos. Quem imaginaria que Bin Laden tem medo de escuro? Ou mesmo que é chocólatra? Ou ainda que cultiva couve, na hortinha dos fundos de seu quintal? O fato é que pude conhecer o verdadeiro Bin Laden. O homem por de trás da barba. O terrorista por de trás do pop star mundial que se tornou. Fiquei surpreso com seu senso de humor. Humor negro, claro. Revelou-me que sente saudades dos velhos tempos. Quando as pessoas explodiam bombas pela Europa e ninguém reclamava. Está certo que poucos sobreviviam, mas eram casos isolados. Disse ter saudades do Brasil. Rio de Janeiro, mais precisamente. Sente-se à vontade por lá. ¿O clima é familiar e relaxante. Além de um ótimo lugar para se fazer amigos¿, afirmou. Porém a parte mais intrigante da conversa foi quando eu o questionei sobre o Saddam Hussein. Perguntei qual era a ligação entre os dois. Se possuíam algum tipo de amizade, parentesco, rivalidade. Seu semblante virou-se do avesso. Aquele sorriso maroto, típico dos terroristas, transformou-se em ira. Indignou-se com o fato de perseguirem seu companheiro de barbáries, só por causa de umas besteirinhas quaisquer. - Besteirinhas? Ele matou milhares de civis inocentes, distribuindo morte e dor. - O Bush também. - Torturou pessoas em troca de informações sigilosas. - O Bush também. - Usou seu poder de forma abusiva. - O Bush também. - Provocou guerras sem motivos, para benefício próprio! - O Bush também. - Prendeu pessoas sem julgamento. Um crime contra os direitos humanos. - O Bush também. - Fraudou eleições, comprou votos e ameaçou inimigos. - O Bush também! - Usou seu poderio militar para invasão de território. - Bush também. - Foi um dos principais responsáveis pela disseminação do terrorismo no mundo. - O Bush também! - Não permitiu a entrada do McDonald¿s em seu país... - Ai ele vacilou! ..jito.. Comments: postado por: Jito 5:49 PM Intimidade perdida Acharam um sutiã no ônibus. A histeria foi geral. - Um sutiãããã! - O quê? De quem? - Não sei, mas estava aqui no meu banco. A peça do vestuário íntimo feminino foi encontrada por Paulinho. Justo ele. Paulo José, era famoso por suas habilidades discursivas. Tinha na retórica seu maior trunfo, uma vez que possuía a beleza como inimiga. Ninguém nunca entendera como conseguia tanto êxito em suas investidas amorosas. Mas um sutiã? Isso já era caso de polícia. Ou de pastor. O problema era que, se onde há fumaça, há fogo, onde há sutiã, há outras coisas. Imediatamente deram início a uma busca detalhada por outras peças intimas, porém sem sucesso. O máximo que conseguiram foi um cinto, que era um indício, mas não provava nada. Precisavam de mais evidências. Quem sabe uma meia. - O que uma meia provaria? - Uma meia, nada. Já uma meia-calça... ..jito.. Comments: postado por: Jito 5:48 PM Flávio - Lembra-se de mim? Que susto! Você foi pego de surpresa. Na maldade. Não estava preparado para responder essa pergunta. Pior, não conhece a pessoa. Mas como dizer isso para a mulher? Ela tem sentimentos. Você não pode simplesmente olhar e dizer: ¿não, nunca a vi mais gorda!¿. Até porque ela é muito magrinha. Começa a pensar se a senhora a sua frente se alimenta corretamente quando percebe que já se passaram alguns segundos desde quando a pergunta foi feita, e você ainda nem tem uma resposta. - Desculpe-me, mas não entendi o que você disse. Tá muito barulho aqui. Boa. Você acaba de ganhar tempo. Será cerca de oito segundos até ela entender o que disse, reformular a pergunta e gritar de volta. Junto com o tempo ganho, acaba de dizer a primeira de muitas mentiras que dirá no restante do diálogo. - Você se lembra de mim? Pronto. Agora você está com um problemão. Não poderá usar mais a desculpa de que não a ouvir direito. Ela disse todas as palavras, de forma audível, e com uma pronúncia impecável. Definitivamente, você está encrencado. Acontece que aquele rostinho lhe é familiar. Dá-se início a um processo de investigação dentro de sua memória. Seus neurônios, vagabundos e desinteressados, correm de um lado para o outro, abrindo e fechando gavetas de arquivos empoeiradas, buscando encontrar qualquer informação sobre a senhora parada a sua frente. Nada. Vejamos. Setenta e poucos anos. Com certeza é essa a idade dela. Pela fala mole, deve usar dentadura, o que não ajuda em absolutamente nada. A verdade é que você não a conhece. Mas quem liga para a verdade. - Claro que me lembro! Você mentiu. A segunda mentira da conversa. Arrisca: ¿A senhora estava acompanhada de uma outra mulher. Era a sua filha?¿ Excelente! Velhas sempre andam acompanhadas por outras mulheres. Mas e se ela não tiver filha? E se ela não puder ter filhos? Nem filhas, o que é pior! Mas agora você já se atirou do precipício. Já entrou no meio da torcida organizada do adversário. Já pulou do trampolim. Experimenta mais um chute. - Foi no ano passado. Ali dentro do salão. Perfeito. Você está numa cidade chamada Valentim Gentil, no meio do nada. A última vez que esteve ali foi no ano passado. Estava caindo um dilúvio. Você só poderia ter falado com ela dentro do salão, e no ano passado. Genial. - Não! Não foi aqui não. E não tinha nenhuma mulher comigo. Chega uma hora na vida em que um homem precisa tomar grandes decisões. Você está convicto de que deve sair correndo, gritando algo como: ¿Elizabeth, cuidado com essa matilha de lobos atrás de você!¿. Decide ficar e encarar a velha. Além do mais, não seria muito convincente uma matilha no interior paulista. Ainda mais de lobos. Precisa atacá-la. Isso. A melhor defesa é o ataque! - Eu achei que a senhora não iria me reconhecer! Vamos ver como está sua memória. Como é meu nome? Você matou a pau! Ela está encurralada. Terá que dizer seu nome, o que talvez lhe traga alguma lembrança. Ou na pior das hipóteses, tempo. - Flávio, oras. Agora é maldade dela. E quem foi o idiota que inventou esse ditado estúpido? A melhor defesa é sair correndo. Isso sim. Ela sabe seu nome! Terá que arriscar tudo. Um chute. Você dará um chute no escuro. Calma! Não é pra chutar a velhinha! Respira fundo, fecha os olhos, faz uma cara de coitado e peça piedade. Diga a verdade, que você é péssimo fisionomista, que promete se aplicar mais para o ano que vem. Não vai adiantar muito. Diga logo! Um nome só, e tudo isso acaba. Espere... - Flávio de quê? - Flávio Alcântara. Pronto. Não é você! Já pode recolher a perna, abrir os punhos e dizer aliviado: ¿vai te catar, bruxa!¿. ..jito.. Comments: postado por: Jito 5:47 PM Viagem de coral Boa viagem de coral é aquela que termina com o regente depressivo. Boa viagem de coral tem que durar muitos dias, para dar tempo dessa depressão se tornar profunda. Boa viagem de coral tem que ter muita confusão, praia, banho de chuva, campinho de futebol, strogonoff com batata palha e adolescentes apaixonados. Boa viagem de coral tem que ter mais de cem componentes, correndo para todos os lados. Tem que ter muitos novatos também. Esses correm dos veteranos. Os que são pegos, passarão o resto do tempo dividindo um banheiro minúsculo com outros dez novatos. O regente jamais saberá disso. Estará mais preocupado com as meninas, que descobriram um sapo dentro do ônibus. - Calma, é apenas um sapo. Uma das garotas, na tentativa de sair correndo, tropeça e cai em cima do sapo. Vanessa, uma veterana chata e mandona, que ninguém suporta. O anfíbio, estatelado em seu cotovelo, dá seu último coaxar. Vanessa coaxa junto, horrorizada, para o secreto prazer dos demais. No caso do ônibus encarregado de levar as meninas, é indispensável à presença de uma monitora. Dê sempre preferência a uma professora de educação física, loira, e com metodologias no mínimo inusitadas, que passará todo o tempo propondo alongamentos e danças típicas da Escócia. Sim, claro. Não se esqueça de levar cinco garotas que amem esses passos démodé, para a irritação total das outras sessenta, que odiarão. O segredo para o sucesso de uma boa viagem de coral está na organização dos ônibus. É preciso que se reúna toda a escória em um só ¿fundão¿. Assim você não terá que se preocupar com o outro ônibus, que passará a viagem toda jogando xadrez escandinavo, e debatendo sobre a política-econômica do governo republicano de Cuba. Está certo, Cuba. Não são inteligentes, são novatos. Já no outro ônibus faz-se necessária à presença de alguns poucos novatos. Dez é o número ideal. Aqueles dez, que ficarão presos no banheiro. Todos eles ao mesmo tempo. É interessante ter entre os coristas, um grupo que ficará cantando insistentemente até o fim da viagem, para a total loucura de todos. No repertório, pré-escolhido, deverá constar clássicos como: Tocou-me, Círculo do amor, Foi por amor e mais uma dezena de músicas não aprendidas, que serão cantadas pela metade, e cantaroladas até o fim. Pronto. Você já possui tudo o que é necessário para uma boa viagem de coral. Daqui para frente, depende exclusivamente de você. E boa viagem. ..jito.. Comments: postado por: Jito 5:46 PM Profissões Mohamed Melamed, homem bomba. ¿Não tem muito segredo. É chegar no lugar, apertar um botão, e pronto. Não existe aquela burocracia do funcionalismo público. Outra. Nem pego fila pra nana. Se tiver fila, explodo ali mesmo. Pra conseguir trabalho é fácil. Não é preciso ter experiência. O problema é na hora de se aposentar. Eles dizem que a gente não tem muito tempo de serviço.¿ *** Armando Golpes, político. ¿Nunca roubei. Tenho minha consciência limpa para com o povo brasileiro. Tudo o que faço e fiz está dentro da lei. Essas acusações são totalmente infundadas. Quer dizer agora que o cidadão não pode nem...¿ *** José Mussolini, líder de uma facção criminosa. ¿O trampo e sussegado, mano. Se fica em casa di boa, só no aguardo as ordi do dia. Dispois é sair depredando uns banco, queimando uns busão, dando uns tiro no metrô e já era. Não paga muito bem, mais aposenta rápido. Dispois é só curti o agito, liga? Outro dia sai até sai no jornal! Tava dizendo: Marginal fugindo da PM. Mó presa!¿ Madame Gigi dos Prazeres, empresária e cafetina. ¿O segredo está na matéria prima. No Brasil não é complicado. Tudo o que precisa é ter boas fornecedoras. Os clientes não reclamam muito. Estão sempre muito cansados. Aposentadoria? Daqui a uns anos. Antes quero abrir uma filial na Europa. Mas a polícia está complicando os papéis.¿ *** Édson de Matar, assassino profissional. ¿O mercado está aquecido. As Eleições e essas brigas entre facções criminosas, valorizam nossa classe. Só semana passada tive dois serviços. Costumo dizer que comigo é satisfação garantida. Para o mandante, obviamente. Claro que tem aqueles clientes que se arrependem, e pedem para eu voltar a trás. Mas eu logo aviso, meu serviço não trabalha com devoluções.¿ *** Pedro Boa Morte, agente funerário. ¿Devo meu trabalho ao Édson de Matar. Valeu, cara! As crianças agradecem.¿ *** Valério Calmo Bragança, vagabundo. ¿Pô. Não quero dar nenhuma declaração! Você acredita que cortaram minha mesada. Sacanagem!¿ Comments: postado por: Jito 5:45 PM Sexta-feira, Julho 07, 2006 Fazendo as malas Todo ano é a mesma coisa. Virou uma certa rotina. Mês de julho tem turnê. Não que Inês reclamasse, pelo contrário, mas uma viagem é sempre, de alguma forma, cansativa. Tem todo aquele ritual. - Preciso cortar o cabelo, depilar, fazer as mãos, pés, buço (só em casos especiais) e axilas. Tudo pra ontem! Inês, como toda mulher, nunca está totalmente satisfeita com sua aparência. Sempre tem algo para mudar, tirar, colocar e etc... Já o Liminha, seu marido, sempre tem algo para pagar. Quinze dias antes da viagem, dá-se início a preparação do corpo e do espírito para a atividade. Primeiro, arrumar as malas. Para Inês esse era um ponto positivo. Que mulher não gosta de arrumar malas? Ela separa todas as peças; calças, calcinhas, blusas, blusinhas, camisas, camisetas... e sutiãs. Claro, não se esquece dos sapatos. Uma boa mulher deve ter pelo menos dezoito pares de sapatos, um para cada ocasião. A não ser que não tenha pés, claro. Como a viagem é para o interior paulista, dispensa os chapéus felpudos, cheios de penas e flores tropicais, como a vitória-régia. Lembra-se que a vitória-régia não é uma flor, e morre de raiva do camelô que a empurrada tal adorno. Ergue a cabeça e vai para a segunda etapa da preparação. Simples. Consiste em passar quinze dias com uma única peça de roupa (ou nenhuma roupa), para economizar combinações que potencialmente poderão ser usadas na turnê. Fica se autoflagelando, torturando-se com a impressão de que está esquecendo alguma coisa. Sim, claro! Os cintos! Agora vem um dos maiores problemas. Como abrir a mala? Liminha, seu queridíssimo esposo já pensa em um problema maior ainda. Como levará aquela mala até o ônibus? As pessoas vão achar que Inês resolveu ir dentro da mala, com mais conforto. Percebe que precisará escolher. Ou a mala ou Inês. Reconhece o absurdo da comparação, uma vez que na verdade seria injusto deixar sua esposa para trás. Além disso, a cantora é sua esposa, precisariam dela mais tarde. Não existe alternativa a não ser ajudá-la a colocar os cintos para dentro. Num movimento ágil, Inês consegue encontrar espaço entre um corsário e um cachecol que, com certeza, não usará durante a viagem. Agora é só esperar o grande dia, entrar no ônibus e... - Este é o meu lugar! - Não estou vendo seu nome nele. - É só olhar dentro do cinzeiro, embaixo do bando, em cima da sua cabeça e debaixo da sua... - Calma, já entendi. - Olha ai. Está escrito: Vilma Inês da Silva Andrade - Só está escrito V. I . S . A - E o que você acha que isso significa? - Viação Intercontinental Sociedade Anônima. - E desde quando esse ônibus faz viagens intercontinentais? - É! Não faz mesmo, lá muito sentido. Mas aí é um problema da companhia, não meu. - Você não está colaborando! - Não saio, não saio, não saio e pronto! - Te dou o todinho do meu café da manhã. Derrotado e sem argumentos, o novato cede seu lugar para Inês, que agora se espalha pelo banco. ..jito.. Comments: postado por: Jito 10:51 PM Segunda-feira, Julho 03, 2006 Fran, meu amor! Escrever é sempre um ato de inspiração. Exige uma série de coisas, de sentimentos, que sem voce, eu jamais conseguiria. Penso em ti a cada palavra que escrevo! Tudo isso é pra voce, minha fonte inesgotável de tudo! Amo-te! ..jito.. .....................................//........................................... Leite, Tirei o atraso, meu veio. Agora é com voce. Não que seja uma corrida, claro, mas porque não? Talvez isso nos anime a produzir! Abraços, meu amigo! ..jito.. Comments: postado por: Jito 8:53 PM Crespo Não existe nada pior que um cabelo rebelde. Talvez não ter cabelo seja pior, mas ter um cabelo rebelde é, com certeza, uma lástima. Não é possível que em pleno século vinte e um a ciência ainda não tenha inventado nada para deixar o cabelo no lugar permanentemente. Os cientistas já produzem uma ovelha em laboratório com pelos idênticos aos da Dolly, mas são incapazes de me deixar com o cabelo parecido com o do Tom Cruise. Com isso somos obrigados a perder horas na frente do espelho tentando ajeitar as madeixas. No início do século XVI, mais precisamente em meados de janeiro de 1502, na cidade de Florença, não sei exatamente onde, acontecia uma das mais importantes descobertas da cosmética humana: a chapinha! A bela lavadeira italiana, Paola Gioconda Crespa, deixou acidentalmente seu ferro cair em cima de sua cabeleira, que ficou com a mesma aparência lâmbida das mulheres da corte. Imediatamente, seu patrão, um Conde qualquer, apaixonou-se perdidamente por Crespa, que já não era crespa, mas sim, lisa. Anos mais tarde Leonardo Da Vinci pintaria um quadro em sua homenagem, batizando-a para sempre de Mona Lisa, que em italiano seria, ¿minha lisa¿. O sucesso da chapinha atravessou o Atlântico, e veio parar em terras tupiniquins. Maria Leopoldina, esposa de D. Pedro II, foi a adepta mais ilustre da nova técnica. Não saía de casa sem fazer uma chapinha. Dona de uma beleza incomparável, ao andar pela corte deixava babões pelo caminho. - O que ela faz para ficar com esse cabelo tão lindo? - Dizem que é por causa de uma tal de chapinha, mas pra mim é coisa do dêmo! - Chapinha? É portuguesa? - Não. Parece que é oriental. Sabe como são esses japoneses. Sempre inventando moda. - Fiquei chapado! E assim nasceu a gíria no império. Hoje temos diversas novas técnicas para um cabelo escorrido. Técnicas mais sofisticadas, mais modernas. O ferro quente deu lugar a pequeninas e práticas chapas de cerâmica, coisa chique! Mas no fim, o importante é o resultado. Porém o que me incomoda é a petulância que algumas mulheres possuem de atentar contra o natural, contra a evolução humana, contra a libertação feminina, contra a própria opinião pública ¿ enrolando seus cabelos num ritual pagão chamado de ¿Permanente¿. É o deboche declarado as infortunadas crespinhas. Mas o brasileiro adora o crespo. Essas imperfeições fazem parte na nossa cultura, do nosso caráter. O que seria da mulata sem o crespo? Esse ondulado que nos remete ao balanço gostoso do mar. - Nós estamos indo pra praia, você quer ir? - O que? E desmanchar minha chapinha? Nécas.. ..jito.. Comments: postado por: Jito 8:46 PM tupperwere Sempre tive curiosidade de saber qual era a origem do ¿tupperwere¿, mais conhecido como ¿recipiente plástico que tem como objetivo armazenar alimentos não muito perecíveis¿. O nome vem do grego, ¿tapauer¿, que estranhamente quer dizer ¿pote com tampa difícil de fechar¿. Primeiro foi o encanto com a fonética. Quem nunca se pegou tentando achar a melhor pronúncia para tupperwere? Tem a ver com a cavidade bucal, e como você usa a língua. Aliás no inglês, o uso correto língua é fundamental. Digo isso por que descobri que tupperwere tem origem no idioma de Shakespeare. Na verdade tem origem na América do Norte, mas achei que ao usar o nome do escritor, tornaria meu texto mais atraente. Ou pelo menos mais romântico, quem sabe. Existem palavras no inglês que me fascinam. O ¿do¿, por exemplo. Você pode falar o que quiser usando apenas o ¿d¿ e o ¿o¿. Juntos, claro. Outra palavrinha simples, mas danada, é o ¿so¿. - So, how are you? - I¿m so so. Não é incrível? Já no português, existe uma palavra em especial que por mais que eu saiba seu significado, gostaria de nunca ter descoberto. ¿Ensaio¿! Mas essa é uma outra história. O fato é que o tupperwere dominou o mundo ocidental. Pelo menos o que conhecemos. Não importa para onde você olhe, lá está ele, olhando você de volta. Os vendedores que iam de porta em porta, oferecendo aquilo que chamavam de ¿produto revolucionário¿, não se deram conta de que estavam contribuindo para a catástrofe gastronômica do planeta. Graças ao plástico, veio o ¿búmm¿ da indústria do enlatado. Agora as pessoas teriam onde armazenar todo aquele lixo. Pior, começaram a ser produzidos os primeiros aparelhos capazes de produzir pequenas ondas que aceleram as partículas de água, tornando assim, qualquer coisa que contenha H2O, em substância quente, também conhecido como microondas. Se hoje somos obrigados a engolir pães-de-queijo borrachudos na lanchonete, é culpa do tupperwere! Ninguém mais cozinha na lenha. Trocamos as panelas de barro de nossas avós por recipientes plásticos, pequenos e difíceis de fechar. É a involução da espécie. Se ao menos o nome fosse brasileiro, defenderíamos em honra ao patriotismo. Mas tupperwere não dá. Pote, tudo bem, mas tupperwere não dá. ..jito.. Comments: postado por: Jito 8:41 PM Digitando Estou aqui em casa. Na minha frente apenas o computador. Que ferramenta incrível. Posso digitar um texto inteiro, e então mexer, editá-lo. Posso tirar palavras, colocar outras. Posso até apagá-lo, ou melhor, deletá-lo, com único clic. Por exemplo, acho que é a sexta vez que escrevo o primeiro parágrafo. Espero que este permaneça. A verdade é que o computador veio para ficar, para somar. Ao menos mais um trambolho em cima das mesas de escritório. Mas não se pode mais reclamar de ocupação de espaço físico. Os computadores estão cada vez menores e mais eficientes. Podem armazenar zilhões de informações em chips que cabem na palma de nossa mão. Especialistas, há alguns anos atrás, afirmaram que a tecnologia substituiria o papel. Até hoje, o único papel que desapareceu, foi o do datilógrafo. - Papai, porque você foi mandado embora? - Oh, meu filho. Eles disseram que agora o computador vai fazer o papel do papai. - Mas o senhor fazia papel? Por isso demorava tanto no banheiro? A tecnologia veio para solucionar os problemas que ela mesma criou. Antes dela, vivíamos tranqüilos, acomodados em nossa doce ignorância. Agora somos obrigados a conviver com super máquinas, que ameaçam tomar nosso lugar no planeta. Pelo menos no cinema. - Quanto é: um bilhão, quatrocentos e dezessete milhões, trezentos e doze mil e trinta e sete, dividido por treze, vírgula quarenta e nove, nove, nove, nove, nove, nove..? - Sei lá! - Ahááá! É exatamente 104986076,81481481481481481482259! - Que ridículo. Pra que eu vou usar isso? - Dependendo da sua profissão, precisará saber. - Mas eu vou ser matemático. - Então pode ficar tranqüilo.. Comments: postado por: Jito 8:41 PM cantor de igreja O homem segura, trêmulo, o microfone. Já fizera isso tantas vezes, mas sempre fica nervoso. Afinal, o público nunca é o mesmo. Pergunta-se porque escolheu aquela música. Jamais conseguiu a performance ideal. É muito aguda pra ele. Mas agora já foi. Ou melhor, está sendo. A música já começou. A platéia o observa atentamente, como se esperasse um único vacilo, para então, cair na gargalhada. A introdução, que nos ensaios parecia ser infinita, acaba em dois compassos. De repente, depara-se com um problema prático: qual era mesmo a primeira palavra da música? Pensa em cochichar baixinho para alguém próximo, perguntando a letra, mas já não há tempo suficiente. A deixa já foi. Perdeu a entrada. Mas tudo bem, a música é lenta. Ele pode perfeitamente retardar a entrada. Depois dará uma corridinha disfarçada para alcançar o andamento e pronto. Já viu tantos cantores fazerem isso, e ninguém repara. Alguns acham até bonito. Dizem ser charmoso. Não importa. Eles entram depois, mas entram com a palavra certa. Qual era a palavra? Que coisa! Agora é sério. Precisa lembrar-se já. Um gordinho na primeira fileira já percebeu seu nervosismo e começa a sorrir maldosamente, aumentando ainda mais seu nervosismo. - Amor! Era amor! ¿ pensa ele ¿ Ou pelo menos tinha a ver com amor. Amor fraternal, maternal, platônico.. que amor que era? Mas e depois de amor? Casamento? Não faz muito sentido. Não deve ser amor. O amor nunca me deixaria numa situação dessas. Composta.. era uma palavra composta! Algo do tipo: ajuda-me, salva-me, tira-me, segunda-feira, beija-flor, guarda-roupa... aaaaaaaahh! Começa a pensar em algumas alternativas. Pode tentar inventar uma letra na hora! É arriscado, mas pode funcionar. Porém, que letra? Já não está lembrando da letra que sempre cantou, que dirá uma que nunca ouviu. Desiste. Quem sabe pedir à congregação para que cante junto com ele. A igreja pronuncia as primeiras palavras, ele refresca sua mente, todos participam e ficam felizes. Lembra-se então que é a primeira vez que vai àquela igreja, e que dificilmente alguém conhecerá a canção. Finalmente, chega à conclusão de que a melhor saída é jogar-se no chão, fingindo uma parada cardíaca. Quem sabe após retorcer-se e babar, viriam à tona as primeiras palavras? Caso não lembrasse, iria direto para o hospital, e nunca mais voltaria ali. Quando já se preparava para sair correndo, um raio, seguido por um apagão! O som parou de funcionar, deixando-o sem a amplificação necessária para o alcance das últimas fileiras. Um típico ¿uuuuuuuuhh¿ foi dado pelos presentes, deixando claro que havia estudantes dentre os espectadores. O play-back parou com a falta de energia. Alguém gritou lá do fundo que a luz iria voltar em instantes. Após alguns minutos às escuras, a luz se faz presente. Todos olham envergonhados para o palco. O pastor vai até Romeu pedindo desculpas pelo ocorrido. - Romeu, perdoe-nos. O raio nos pegou de surpresa. - Que isso, pastor. Essas coisas acontecem. ¿ respondeu tentando esconder o alívio, enquanto limpava o suor. - Peço desculpas, mas nosso aparelho de som queimou. Um fusível, Romeu. Você pode imaginar? Romeu não podia imaginar! Mas como era uma igreja, nada mais natural que um milagre, pensou, enquanto jurava a si mesmo nunca mais cantar em público. - Mas você não veio de tão longe para não cantar. Nós daremos um jeito de... - Claro! Alguém tem um hinário?! ..jito.. Comments: postado por: Jito 8:40 PM Leite, Meu caro amigo Leitoso. Como só voce estra neste blog, eu acho que já posso falar diretamente a ti. Estou um pouco empolgado, por isso todas essas crônicas de uma vez só. Um abraço! ..jito.. Comments: postado por: Jito 8:40 PM Papo de busão Viagem de ônibus é sempre um motivo de alegria. Menos para Robertinho, que passava o tempo todo reclamando de tudo. - Odeio ônibus! - Ta bom, Robertinho. A gente já sabe. - Não é Robertinho, é Roberto! Meu nome é Roberto! Detalhe. Robertinho odiava ser chamado pelo apelido. O diminutivo era uma referência à baixa estatura do rapaz, que chegava a um metro e sessenta e seis, na pontinha dos pés. - Robertinho, você precisa em... - Roberto! - Roberto, você precisa entender que esse é o único jeito pra chegar em Presidente Prudente. - Claro que não. Poderíamos ir de carro. Muito mais rápido. - Mas você tem carro? - Não! - Então não reclame, Robertinho. - É Roberto! - Ah, ta bom... Roberto. Tanto faz. - E esse tal de Presidente Prudente. De prudente ele não tinha nada. Olha onde foi construir a cidade. - O que é que tem o lugar? - Muito longe do mar, oras. Não se constroem cidades no meio do continente. - Que besteira! Quer dizer que não se podem construir cidades longe do mar. - Claro que não. Os povos antigos construíam suas cidades próximas do mar, para facilitar a navegação. - O que você me diz sobre os Incas? Eles moravam a 2800 metros acima do nível do mar, no meio do continente. E foram uma das maiores civilizações antigas da história. - Exato. Foram. Não são mais. Não agüentaram a solidão. - Que absurdo! Eles foram massacrados, mortos, destroçados. - Isso que da morar numa região infestada de leões. - Mas lá não existem leões... - Lógico! Que leão iria querer morar numa região tão alta? Além do mais, quente daquele jeito. - Quente? Você tá louco? - E você queria que fosse como? Fria? À 2800 metros de altura, o sol bate mais forte, amigo. Conseqüentemente é mais quente. - Estou surpreso! - Com o que? O fato de lá ser mais quente? - Não. Surpreso de você saber o que é ¿conseqüentemente¿. - Mas o fato é que eu odeio ônibus. Esse cheiro me da enjôo. Tenho vontade de vomitar. - Eu também... Eu também! ..jito.. Comments: postado por: Jito 8:38 PM Segunda-feira, Janeiro 30, 2006 Hoje vou postar um texto que fiz para meus parentes e amigos que moram no USA. Porém antes, preciso contextualizá-los. Não existe nada pior que um brasileiro falar mau de seu país, ainda mais lá fora. Além de ser uma tremenda falta de patriotismos, educação e princípios, mostra que não tem um único pingo de compiaxao ou mesmo consideração pelos amigos que continuam em seu país! Bom, contra a falta de patriotismo, lá vai o texto! Que a carapuça sirva em quem tem que servir!!! Saudade Conta à lenda que quando Cristóvão Colombo avistou os primeiros coqueiros de nosso litoral, pensou com ele: ¿Onde estou não sei. Só sei que não pode ser as Índias¿. Está no dicionário: NACIONALIDADE ¿ Condição própria de cidadão de um país, por naturalidade ou por naturalização. Portanto, quem nasce em um país, herda uma determinada nacionalidade. É um direito irrevogável. Ex: quem nasce no Brasil é brasileiro. Ponto! Agora, patriotismo, é totalmente diferente. Patriotismo é sentimento, cada um tem o seu. É uma relação de amor, admiração, preocupação, fidelidade, esperança e orgulho por seu país. Isso não é dado, é conquistado. Mas para amar algo, ou alguém, você precisa primeiro ter uma identificação, algo em comum. Tem que existir uma convivência sadia, uma relação de troca. Porém, antes do amor vem a admiração. Ninguém gosta do nada, tem que admirar. Neste processo, começamos a perceber detalhes que nos chamam a atenção. Já a preocupação é diferente. Você só se importa com o que quer bem. Percebeu? Está tudo interligado. Você admira, ai começa a amar, se preocupar, querer bem aquela coisa, pessoa, lugar... Então vem a relação de amizade. Amigo é fiel. Não existe amor na infidelidade. Muito menos comprometimento, preocupação. Por fim, o orgulho. Como é bom ter orgulho de algo. Isso nos traz felicidade. Temos orgulho do filho se formando, da igreja prosperando, da sementinha brotando... Que bonito! Da um belo poema tudo isso. Mas a verdade é completamente diferente. Não existe nada de poético, de bonito, de amoroso, nada pra ser admirado no ato de cospir no prato que comeu. Ainda mais quando este prato ainda lhe serve de alimento algumas vezes. Pior. Não existe preocupação, muito menos fidelidade em tirar barato das coisas de nossos amigos, familiares. O verdadeiro brasileiro morre de orgulho por tudo o que tem. Nossas praias são mais bonitas, nossas matas têm mais vida, nossa gente é mais divertida, de bem com a vida, dispostos a sempre fazer novos amigos, e cultivar os que já possuem. Além de tudo isso, o brasileiro se orgulha de sua língua, sua cultura. Temos no português uma das palavras mais lindas do mundo: Saudade! Nenhuma outra cultura do planeta soube colocar em uma só palavra tudo o que representa esse sentimento. A saudade não pode ser medida, precisa ser sentida. Na bíblia, no livro de Salmos, capítulo 137, conta a história dos judeus cativos na Babilônia. O verso diz: ¿Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o cântico do SENHOR em terra estranha? Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Grude-me a língua ao céu-da-boca, se não me lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria.¿ Claro. Os judeus estavam com saudade de casa. Choravam as margens dos rios da Babilônia com saudades de Jerusalém. Chegaram até a dizer que preferiam perder a mão e a língua, e assim nunca mais tocar (o que eles mais gostavam), do que um dia esquecer sua pátria, perder a vontade de voltar, preferindo assim ficar em terra estranha. Há um hino que diz: ¿Da minha pátria estou tão longe, Triste eu estou!¿ É óbvio que se trata do céu, mas aqui na terra, nosso lar, nossa pátria, nosso lugar é o Brasil, quer queira ou não. Aqui somos cidadãos de verdade, respeitados, com direitos. E por mais que algumas vezes esses direitos sejam tirados de nós, nossa vingança se junta a esperança de um dia estarmos no céu, também nossa pátria, só que infinitamente melhor. Eu sei que como os judeus, alguns não têm muita escolha, e precisam abandonar suas pátrias em busca de novas oportunidades em terra estranha. Ótimo! Que Deus os abençoe. Todos aqui torcem por vocês. Agora, que nunca percam a vontade de voltar, de se sentir em casa novamente. De rever a sua rua, feia como ela é, mas é SUA! Rever os vizinhos, pobres como você, mas lhe COMPRIMENTAM, e sabem seu NOME! Que nunca percam também, e principalmente, o orgulho de serem o que são: BRASILEIROS, nascidos no país perfeito. O que? O país não é perfeito? País perfeito não existe. O que existe é o SEU PAÍS! Um abraço! Sejam todos bem vindos. Sejam brasileiros ou visitantes! ...jito... os: Já dizia Gonçalves Dias; ¿Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá!¿ Saudade!!! Comments: postado por: Jito 2:29 AM Domingo, Novembro 20, 2005 Primeiro; Leite, me aguarde! hahahaha.. Segundo; Fran, eu te amo! Terceiro; Guilherme Amaral Velho, ainda quer ser publicitário? Sim, isso é uma proposta! ...jito... Comments: postado por: Jito 9:44 PM
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